quinta-feira, 31 de maio de 2012

terça-feira, 22 de maio de 2012

(2) o primeiro


Como se o mundo se incendiasse

nós
agarrados não tínhamos presente
não desejávamos futuro

éramos apenas nós
no frio da noite
clandestina
sem luz, sem clarão

sem rumo

pés sobre línguas húmidas,
desejos,
entre a folhagem
da selva de cimento

nós
que desejámos ser homens
na razão e no corpo
beijávamo-nos,

incendiávamos o mundo.

VIII















Vista do Bloco das Águas Livres de Nuno Teotónio Pereira (1959), Lisboa

segunda-feira, 21 de maio de 2012

VII


















Amsterdão no início do século 

6.


As luzes dos foguetes extinguem-se
no teu rosto e eu
tenho que te ver só mais um dia
para dizer que valeu a pena
o sacrifício

o maço de tabaco.

Tenho que ser teu para
que nada me possa matar.

As luzes da cidade vão
afogar-se ao teu rosto e eu
tenho que fazer-me teu
só mais uma noite.

A noite
que sangra em mim,
por ti,
porque um dia

já não serás meu.

2009 (?)